Última alteração: 2016-10-18
Resumo
Para entender o atual cenário do mercado mundial de citros é necessário retornar para a década de 1960. Isto porque, o início da produção de laranja industrializada durante a década de 60 no Brasil possibilitou com que o país se tornasse o principal exportador dessa commodity no mercado internacional, competindo com os Estados Unidos da América, por conta da produção regional no estado da Flórida. Todavia, fatores tais como, o expressivo aumento da área plantada, acarretando um significativo incremento da oferta de citros no mercado, ao mesmo tempo da ocorrência de um sucessivo declínio da demanda internacional, resultaram em uma crise no setor citrícola internacional e nacional (IEA, 2015).
A partir desse cenário, tanto a produção de laranjas (setor primário) quanto o beneficiamento e comercialização (setor secundário) foram obrigados a alterar seus objetivos e metas para se estabelecer no mercado. Os principais pontos utilizados por ambos os setores foram a busca por aumento de produtividade, bem como ações para diversificar sua produção.
Segundo Longenecker, Moore e Petty (1997, p. 484), produtividade é a eficiência com a qual os insumos são transformados em produção. Depreende-se de Cerqueira Neto, (1991, p. 43) por outro lado, que aquelas empresas mais eficientes empenham, do ponto de vista administrativo, na implementação de programas de gestão do tipo “Qualidade Total”, cujos resultados não só garantem a plena satisfação dos clientes, como também, reduzem os custos de operação, minimizando as perdas, diminuindo consideravelmente os custos com serviços externos otimizando a utilização dos recursos existentes. ”
De toda forma, o contexto de incertezas e desafios que ainda impera junto a citricultura brasileira foram os fatores que motivaram a realização dessa pesquisa e estudo. A partir disto, o objetivo principal desse trabalho foi inferir sobre mecanismos de diferenciação que pudessem vir a melhorar o ambiente de competitividade do setor citrícola nacional.
Em termos de objetivos secundários, buscou-se inferir sobre a criação de “janelas de oportunidade”, que poderiam ser utilizadas, tais como a implantação de uma “logística verde”, como, por exemplo, a adequação à Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010)[1].
[1] Logística reversa (em especial no que diz respeito às embalagens de agrotóxicos), padrões sustentáveis de produção e consume, reciclagem, responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, etc.
2 Para Rogers e Tibben-Lembke (2001, p 130), a logística verde, ecológica ou ecologística, tem foco na redução da embalagem, da poluição e do impacto ambiental. Já a logística reversa visa majoritariamente o retorno de produtos, o marketing de retorno e os mercados secundários.
3 Segundo Leone (1997), um produto é definido como subproduto por causa de seu pequeno valor comercial comparado com o produto de maior valor, que é classificado como co-produto. O subproduto pela sua pequena participação nas receitas da empresa e pelo fato de se originarem de desperdícios, deixam de ser considerados produtos propriamente ditos, pois se assim o fossem deveriam receber parcelas de custos da produção.